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Família de lobos-guarás é vista em área paulista livre de incêndios desde 2018

Um registro raro movimentou o monitoramento ambiental no interior de São Paulo: uma mãe lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) foi flagrada caminhando com seus três filhotes. A cena ocorreu na região da Estação Ecológica (EE) Barreiro Rico, um importante ecossistema localizado entre os rios Tietê e Piracicaba, que abrange municípios como Piracicaba, Botucatu, São Pedro e Anhembi. A presença da família confirma a relevância do local para a manutenção da espécie, que está ameaçada de extinção.

Refúgio seguro e prevenção de danos

A proteção da biodiversidade na região é fruto de um esforço conjunto da Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), com proprietários rurais e brigadas. Um dos marcos desse trabalho é a ausência de incêndios florestais na área desde 2018. Segundo o gestor da EE Barreiro Rico, João Marcelo, a implementação de aceiros, patrulhamento e a mobilização da rede local foram decisivas para evitar novos focos, após o último grande episódio ter ocorrido em 2012.

Desafios para a espécie

Embora o avistamento traga esperança, especialistas alertam que a sobrevivência do maior canídeo da América do Sul exige atenção constante. O lobo-guará, que costuma transitar entre matas, plantações de eucalipto, cana-de-açúcar e pastagens, encontra riscos significativos em áreas próximas a estradas:

 
 
   
  • Risco de atropelamentos nas vias que cortam ou circundam as unidades.
  • Contato com cães domésticos, que pode transmitir doenças como cinomose, parvovirose e sarna sarcóptica.
  • Fragmentação do habitat, que exige a criação de passagens e corredores ecológicos.

Como medida de mitigação, a gestão local instalou em 2024 uma travessia aérea na via AHB171, destinada a facilitar o deslocamento de animais entre fragmentos florestais, como a Estação Ecológica e a Fazenda Bacury.

Monitoramento em todo o Estado

A espécie, que desempenha papel vital na dispersão de sementes e regeneração da vegetação, tem sido acompanhada de perto pelo sistema Monitora BioSP. Entre 2022 e 2025, foram contabilizados mais de 3 mil registros da espécie em áreas protegidas pela Fundação Florestal. Além de Barreiro Rico, unidades como as Estações Ecológicas de Itirapina e Jataí figuram entre os pontos com maior presença de lobos-guarás.

Para a população que vive no entorno dessas áreas, o monitoramento e as ações de educação ambiental, como os projetos “Barreiro Rico na Escola” e “Barreiro Rico na Praça”, são ferramentas essenciais para garantir a coexistência segura entre as atividades rurais e a fauna silvestre paulista.

Com informações de Agência SP.