A recuperação das atividades rurais na bacia do Rio Doce avançou para uma etapa fundamental. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) iniciou um diagnóstico técnico em cerca de 500 propriedades rurais espalhadas por 36 municípios. A iniciativa é parte integrante do Acordo de Reparação do Rio Doce, estabelecido após o desastre da Barragem de Fundão, em Mariana.
Entendendo a situação atual das propriedades
O trabalho consiste na aplicação dos Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas (ISA). Este instrumento funciona como um diagnóstico socioambiental completo, que permite aos especialistas traçarem um raio-X das condições atuais de cada terreno. De acordo com Wagner Rodrigues, gestor da Emater-MG no projeto, o levantamento envolve visitas técnicas, entrevistas diretas com os proprietários e consulta ao Cadastro Ambiental Rural.
Para muitas famílias, a medida é um alento necessário após anos de dificuldades produtivas. A produtora Marlene de Carvalho, de Tumiritinga, relembrou o impacto do desastre: “A lama passou de madrugada. Foi muito triste. Passaram dias e a gente já viu os peixes mortos. A terra ficou rachada”. O produtor Agnaldo de Carvalho também destacou o prejuízo comercial que o desastre trouxe para a região: “Atingiu o gado que bebe água do rio. O pessoal para quem eu vendia o leite parou de comprar, com medo da contaminação”.
Próximos passos e assistência técnica
A partir dos dados coletados, os técnicos elaborarão Projetos Técnicos Executivos (PTEs) personalizados. As intervenções previstas incluem:
- Análises laboratoriais de solo para orientar adubação e correção;
- Fornecimento de insumos e sementes (milho, feijão, hortaliças e forrageiras);
- Estratégias de conservação de água e solo;
- Recuperação de áreas degradadas.
O acompanhamento será contínuo durante os próximos cinco anos, somando cerca de 32 mil atendimentos, entre orientações coletivas e individuais. Além da assistência técnica, o plano contempla a instalação de quase 200 sistemas de microgeração de energia fotovoltaica ainda este ano, para os produtores que cumprirem os requisitos do edital específico.
Contexto do acordo de reparação
O rompimento da barragem da Samarco, ocorrido em 5 de novembro de 2015, resultou em uma tragédia que vitimou 19 pessoas e causou danos socioambientais severos. O Acordo de Reparação, firmado entre entes públicos (governos federal, estaduais de MG e ES e Ministérios Públicos) e as empresas responsáveis (Samarco, Vale e BHP), prevê investimentos da ordem de R$ 81 bilhões.
Para o setor agropecuário da região, essa assistência significa a possibilidade de retomar a produtividade com tecnologias que garantam sustentabilidade. Ao final dos cinco anos de suporte, a Emater-MG fará uma nova medição através do ISA para certificar os avanços obtidos e a efetiva recuperação das áreas atingidas.
Com informações de Agência Minas.

