O Governo do Estado de São Paulo mantém um programa estratégico voltado ao suporte de migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade social. Por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDS), o Estado opera Casas de Passagem que funcionam 24 horas por dia, focadas não apenas na hospedagem, mas no restabelecimento da autonomia e na integração desses cidadãos à sociedade brasileira.
Estrutura de atendimento em Guarulhos e Cotia
O serviço é composto pelas unidades Terra Nova II, em Guarulhos, e Terra Nova III, em Cotia. Juntas, as duas instalações possuem capacidade para atender simultaneamente até 200 pessoas. O suporte oferecido é multidisciplinar, incluindo assistência social, acompanhamento psicológico e orientação jurídica. Além disso, os acolhidos participam de atividades culturais e pedagógicas, que contam com cursos de língua portuguesa para facilitar a inserção social e profissional.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém, o objetivo central é ir além do fornecimento de um abrigo temporário. “O nosso compromisso é garantir que qualquer pessoa que chegue a São Paulo em situação de extrema vulnerabilidade encontre não apenas um teto, mas um ponto de recomeço com dignidade”, afirma.
Resultados e critérios de permanência
O tempo médio de estadia nas unidades é de 90 dias, prazo que pode ser estendido conforme a necessidade técnica de cada caso. Desde o ano de 2023, o programa já assistiu mais de 6,4 mil pessoas. Para a manutenção e custeio das unidades, o Governo do Estado investiu R$ 34,9 milhões no período. A maior parte dos encaminhamentos chega ao serviço via Posto Avançado de Atendimento Humanizado de Guarulhos, agências da ONU (como ACNUR e OIM), rede socioassistencial municipal e Secretaria de Estado da Justiça e Defesa da Cidadania.
Impacto na integração social
- O acolhimento é destinado a estrangeiros de diversas nacionalidades, com destaque para venezuelanos, bolivianos, afegãos, nigerianos e marroquinos.
- Brasileiros que se enquadram nos critérios de vulnerabilidade também podem ser atendidos.
- Na unidade de Cotia, inaugurada em abril de 2024, cerca de 50 famílias já conseguiram inserção no mercado de trabalho.
- A rede de apoio também inclui 80 vagas na capital paulista na modalidade de República.
O impacto do projeto é sentido na prática por famílias como a de Mohamed, um engenheiro que, ao chegar ao Brasil fugindo da violência, encontrou suporte para seus filhos na rede escolar e auxílio para buscar oportunidades de trabalho. Esse acompanhamento constante, coordenado por profissionais como a gestora da unidade Terra Nova III, Andréia Vasconcelos, busca incentivar a equivalência de diplomas e o desenvolvimento profissional, garantindo que o período de transição seja efetivamente o primeiro passo para a autonomia plena no país.
Com informações de Agência SP.


