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Estimativa de efetivação de contratos temporários supera 30% no setor de serviços

Ao final de cada ano, os setores de Serviços e o Comércio realizam contratações temporárias para atender às demandas da festa natalina e da alta estação do verão, no caso de João Pessoa. A partir do desenvolvimento econômico da capital paraibana e considerando o alto nível do emprego gerado ao longo de 2025, apenas no setor de Serviços, a efetivação dos contratos temporários pode chegar a 35%, conforme estimativa do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico de João Pessoa, João Bosco.

A cidade de João Pessoa registrou um saldo de 15.904 novos empregos, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Apenas em novembro, foram 2.149 empregos, impulsionados pelos setores de Serviços (1.369) e Comércio (507).

 
 
   

“Historicamente, a média de efetivação dos contratos temporários em contratos por tempo indeterminado girava em torno dos 25%, mas nos últimos dois anos, verificamos que a tendência é de crescimento, acompanhamento o desempenho da economia de João Pessoa. Considerando todos os setores, incluindo indústria e construção civil, estimamos uma média de 30%”, explica João Bosco.

O período de final e começo de ano coincide com a alta estação do turismo, uma das principais atividades da economia de João Pessoa e que vem passando por um momento contínuo de expansão, nos últimos anos, conforme o gestor. “Muitas empresas contratam planejando que aquele funcionário trabalhe por alguns meses, mas ele acaba sendo efetivado não só pela qualidade na atividade, mas por conta da demanda pelo serviço”, comenta.

João Bosco explica que, nas atividades como hotelaria, por exemplo, a rotatividade de funcionários é baixa. Desta forma, o índice de efetivação de quem foi contratado em outubro, novembro e dezembro pode chegar a 35%. “O mesmo vale para o segmento de bares e restaurantes. São atividades que exigem algumas funções com especialidades, considerando o alto padrão dos estabelecimentos em João Pessoa para atender um público cada vez maior e mais exigente de turistas”, contextualiza o secretário.

Manutenção do emprego – No restaurante Sal e Brasa, localizado na praia de Cabo Branco, as contratações ocorreram em outubro, e 30% dos funcionários seguem no mês de janeiro, conforme a coordenadora de eventos, Jessica Silva. “Para atender à demanda de final de ano e do mês de janeiro, contratamos garçons, cumins, copeiros, passadores e auxiliares de cozinha. O mês de dezembro foi marcado pelas confraternizações, com um alto número de reservas. Já em janeiro, a demanda segue alta, mas é espontânea”, relata.

Uma das colaboradoras renovadas é a auxiliar de cozinha, Gleiciane de Souza. Esta é a primeira vez que ela trabalha no restaurante, mas já acumula experiências na função. “Estava desempregada há alguns meses, mas consegui esta oportunidade, onde gosto muito de trabalhar. As pessoas são atenciosas e profissionais, e estou grata por poder continuar”, conta Gleiciane.

Alta demanda – Outra atividade integrante da cadeia do turismo é a de receptivo. A Empresa Luck Receptivo, inicia a preparação do quadro de funcionários no último trimestre de cada ano, conforme a projeção para o verão e o restante do ano, segundo o gestor de Recursos Humanos em João Pessoa, Felipe Vasconcelos. A maior parte das contratações é para as funções de motoristas e guias de turismo. Apenas na praça de João Pessoa, a empresa conta com 70 funcionários em cada uma das funções.

“Nós projetamos uma perspectiva de crescimento do número de passageiros para aquele ano e contratamos a equipe necessária para atender. Considerando o crescimento do turismo em João Pessoa, nós temos alta estação quase o ano inteiro, com exceções de uma semana no mês de maio e outra semana em agosto, em 2025. Portanto, as contratações são fixas, com a equipe permanecendo depois do verão”, indica Felipe Vasconcelos. O gestor relata que de um ano para outro, a equipe operacional aumentou 20%.

Comércio – Já a dinâmica do Comércio é um pouco diferente, mais conservadora, conforme o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico, João Bosco. A estimativa é que a efetivação de temporários varie de 15% a 20%. De acordo com a coordenadora do Sistema Nacional de Emprego em João Pessoa (Sine-JP), Jessyka Barros, neste mês de janeiro, algumas empresas ainda mantêm os temporários por conta das demandas dos saldões de desconto, próprios desta época do ano.

Descompasso – O secretário-executivo aponta um descompasso na demanda por mão de obra nos setores de construção civil e logística frente ao crescimento econômico da cidade. “O Sine-JP tem contribuído com esse trabalho de atração de mão de obra e a Sedest também contribui com a capacitação de pessoas interessadas, por meio do programa ‘Eu Posso Aprender’.

João Pessoa foi a capital nordestina que mais cresceu proporcionalmente no estoque de carteiras assinadas em 2025 (janeiro a novembro), com alta de 7,48%, superando Salvador (5,15%) e Teresina (5,01%). No ranking nacional, João Pessoa ficou atrás apenas de Macapá, que cresceu 8,81%.